Portal Terra emite parecer sobre Sansão e Dalila da Rede Record

Sansão e Dalila da Record – Gosto de emitir opiniões acerca do que os portais de fora discutem acerca dos temas que nós discutimos dentro das Igrejas. Atualmente o tema em moda é a milionária minissérie da Record sobre a história de Sansão.

Gosto de sondar a minissérie da Record como uma um tanto quanto descompromissada com valores éticos e morais que permeavam Israel nos dias dos Juízes, no entanto me atenho ao posicionamento que o portal Terra emitiu sobre Sansão e Dalila da Record.

Segundo o artigo, a Rede Record teria escolhido uma história bem curta na Bíblia, só uns poucos versículos (. E a maior parte de sua vida nem é contada. Suas mulheres são igualmente vagas e misteriosas. A primeira sequer tem o nome citado. E Dalila é pouco mais que uma cortesã, eufemismo para – outro eufemismo – “a mais antiga das profissões”.

Por isso mesmo o jovem escritor Gustavo Reiz criou diversos personagens e acontecimentos para preencher os 18 episódios de Sansão e Dalila, da Record, nos quais o super-homem do Antigo Testamento surra e mata seus inimigos filisteus. Sem contar o paralelismo antitético narrado na desenvoltura física de Sansão, uma vez que ele segura uma pedra em pleno declínio nos braços, mas quase se vê vencido por um soldado filisteu na luta pelo amo.

Os acréscimos são bem-montados e bastante convincentes, caso da biografia de Dalila, transformada em uma jovem atormentada por um padrasto priápico, em convicente caracterização de Camilo Bevilacqua. E são as atuações o que há de melhor nesta minissérie. A despeito do tom excessivamente arrastado e formal dos diálogos, as interpretações transmitem uma intensidade de sentimentos rara na teledramaturgia brasileira, marcada pelo naturalismo. A Dalila de Mel Lisboa é de uma sensualidade ordinária, sem afetações e muito verdadeira, enquanto o Sansão de Fernando Pavão é entusiasmo e desejo puros.

Sansão traz a força condensada dos grandes mitos, que resumem e exemplificam modelos éticos para a humanidade. Ele representa a força desmedida e descontrolada, o impulso sexual e a violência sem quaisquer freios sociais. Ele é pura pulsão de vida, sem sabedoria e sem transcendência espiritual. Está destinado a ser derrotado por seus desejos carnais. E, por uma mulher, trai o segredo que existe entre ele e o Senhor. Só se redime no último instante, quando se mata e arrasta para morte legiões de filisteus.

As imagens em alta definição ajudam a proporcionar mais do que um espetáculo visual, reforçado pela ótima produção de arte desta minissérie. A força física, a textura da pele, o suor e calor dos corpos amplificam o impacto das interpretações e se ajustam com perfeição a uma história marcada pelo carnal. O HD é mais do que imagem de alta qualidade. É tátil, sensorial.

Pena que a sonoplastia e a trilha não estejam à altura dos atores e das imagens e repitam os mesmos chavões musicais e sonoros de todas as produções televisivas. E, para uma emissora constantemente elogiada pelas tomadas de ação, as batalhas entre filisteus e Sansão chegaram a lembrar A Vida de Brian, comédia debochada do grupo inglês Monty Phyton, em cenas de humor involuntário. Um pouco de ousadia faria bem.

Fique por Dentro!

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